LUTAR O BOM COMBATE II



INTRODUÇÃO

O sofrimento e padecimento são palavras desagradáveis de se ouvir, principalmente quando estamos diretamente envolvidos nelas.

A passagem que alerta “no mundo tereis aflições” parece que diz respeito a outros e não a nós. As posses, o conforto, a segurança física e material, traduzem na vida do cristão moderno, a fidelidade de Deus.

Quando as posses, o conforto, a segurança física e material desaparecem, sentem que o seu desempenho talvez não esteja a contento daquilo que Deus espera dele. Que os seus erros devem ser a causa dos ataques do maligno, e ainda, Deus deixou de amá-lo porque não “pagou” o que é justo nos dízimos, nas ofertas, nos jejuns, nas orações, nas boas ações. Isto não é nada mais nada menos que um conceito errado de que a aliança de Deus para conosco, talvez não passe de um mero contrato.

Sim! Embora saibamos que Jeová Hessed, é um Deus de aliança, essas atitudes para com Ele nos colocam nivelados como parceiros contratuais, onde, fica implícita, a exigência de uma postura correspondente ao nosso desempenho momentâneo, isto é, quando a situação está ruim, “pagamos um preço sacrificial”, onde a contrapartida contratual é a ajuda divina.

Não queremos sofrer, não queremos dor, não queremos nenhuma situação em nossas vidas que possa dizer que somos cristãos fracassados.

Uma voz em nosso íntimo se levanta e mostra muitas alternativas para que isso não ocorra. Não dêem ouvidos a esta voz: é o orgulho falando, oferecendo um painel de felicidade, como porta de salvação dos problemas, onde por trás existe um abismo.

Falar de aliança e viver contratualmente torna natural, a fuga da gratidão, e o aparecimento da murmuração. A murmuração desanima qualquer um.

“De todos os lados somos oprimidos pelas dificuldades, porém não somos esmagados nem despedaçados. Ficamos perplexos porque não sabemos a razão de certas coisas nos acontecerem assim, porém não desanimamos nem desistimos.

Somos perseguidos, mas Deus nunca nos abandona. Somos derrubados, mas nos erguemos e prosseguimos.

Este nosso corpo está constantemente enfrentando a morte, tal como aconteceu com Jesus; assim, fica bem claro a todos que é unicamente o Cristo vivo dentro de nós (quem nos mantém a salvo).

Sim, vivemos sob constante perigo para nossas vidas porque servimos ao Senhor, porém isso nos dá contínuas oportunidades de anunciar o poder de Jesus dentro dos nossos corpos mortais.

Devido à nossa pregação, nós enfrentamos a morte, porém isso resultou em vida eterna para vocês.

Nós dizemos corajosamente o que cremos, (confiando que Deus cuidará de nós), como fez o escrito do Salmo quando afirmou: “Eu creio, portanto falo”.

E sabemos que o mesmo Deus que morte trouxe o Senhor Jesus, também nos trará de vota à vida novamente junto com Jesus, e nos apresentará a Ele juntamente com vocês.

Estes nossos sofrimentos são para o benefício de vocês. E, quantos mais dentre vocês forem ganhos para Cristo, maior número haverá para agradecer-Lhe sua grande bondade, e mais ainda o Senhor é glorificado.

Eis que nunca desanimamos. Embora os nossos corpos vão morrendo, a força interior que temos no Senhor vai crescendo dia a dia.

Estes nossos sofrimentos e aflições, afinal de contas, são bem pequenos e não durarão muito tempo. Entretanto, este curto tempo de angústia resultará na mais rica bênção de Deus sobre nós pra todo o sempre!

Portanto, não olhamos para aquilo que podemos ver atualmente, as dificuldades que nos rodeiam, mas olhamos para frente, para as alegrias do céu que nós ainda não vimos. As aflições logo desaparecerão, mas as alegrias futuras durarão eternamente. ”(2 Co 4:8-18)

A vida cristã de Paulo foi permeada por lutas. O apóstolo Paulo em diversas cartas relata sempre o termo combate. Combater significa lutar. Lutar implica em desgaste físico e emocional.

Lembro-me bem há época em que o grande pugilista Mike Tison, literalmente arrasava dentro e fora do ringue. Os adversários só de saberem com quem iam lutar, já iam para o combate emocionalmente derrotado. Verificávamos que durante a luta um golpe ou outro sempre acertava o Tison, mas, ele tinha uma capacidade de assimilar esses golpes que era algo extraordinário. Após cada golpe recebido ele bravamente distribuía uma saraivada de socos e irremediavelmente o adversário ia à lona.

Lembro-me também, que os comentaristas argumentavam que um o outro adversário, tinha queixo de vidro, isto é, bastava um soco bem aplicado que o oponente partia para o mundo dos sonhos. Estes não estavam preparados para assimilarem golpes.

Assimilar golpes faz parte da vida de quem luta, quem não sabe assimilar golpes é facilmente derrotado, aprender a sofrer o dano é chave em qualquer circunstância, principalmente para mantermos relacionamentos saudáveis.

Sofrer o dano é ser humilde, oferecendo o outro lado da face. Deixar que a justiça de Deus prevaleça, e não a sua.

As 3 metáforas para Timóteo

O apóstolo Paulo em suas orientações ao seu fiel Timóteo usa algumas figuras de linguagem que retratam bem os golpes sofridos pelos cristãos em sua caminhada.

1) O soldado

“Receba a sua porção de sofrimento como um bom soldado de Jesus Cristo, como eu faço”.(2 Tm 2:3).

As experiências do apóstolo Paulo como hóspede das prisões romanas, podem ser vistas em suas cartas anteriores, onde usa termos como; à guerra contra principados e potestades, armadura que deve vestir e as armas que deve usar. A sua convivência com a guarda romana lhe trouxe oportunidade de excelentes comparações.

O soldado em guerra, não conta com segurança e facilidade, pelo contrário, dureza, riscos e sofrimentos são aceitos sem contestação. Nenhum soldado vai à guerra cercado de luxo, conforto, porém o que o aguarda é uma tenda estreita e provisória, em que há dureza, severidade e desconforto. De igual modo não devemos esperar dias fáceis.

Estamos em guerra! Nossa luta não é contra carne ou sangue, mas contra os principados e potestades, os dominadores do ar, deste mundo tenebroso. E inevitável que como bom soldado que não foge da luta, sejamos participantes no sofrimento dessa batalha. Numa batalha balas vão e vem.

2) O atleta

“Siga as determinações do Senhor para a execução da obra, como um atleta que, ou obedece aos regulamentos, ou é desclassificado e não recebe prêmio nenhum” (2 Tm 2:5).

Agora o apóstolo Paulo desvia o foco do soldado romano para o competidor nos jogos gregos. Cada esporte tinha suas regras claras para a competição. O atleta para vencer a competição tinha de se sujeitar àquelas regras, caso contrário não seria declarado vencedor, porém não queremos nos ater a questão das regras e sim na preparação para a competição.

Há algum tempo atrás, assisti pela TV a maratona da cidade de São Paulo, milhares de atletas estavam reunidos para participar de uma corrida de 42.195m.

Dentre as diversas categorias dos participantes, quero registrar apenas uma: o pelotão de elite.

A corrida de 42 km não demanda muita seletividade, embora não sejam muitos que se atrevam a tal façanha, o x da questão é chegar à frente de todos, para tanto, a autodisciplina, alimentação balanceada, exercícios estafantes, perda de peso, supressão de regalias, de comodidades, são quesitos básicos.

No pelotão de elite estavam corredores que se prepararam durante dias, semanas, meses para aquela e outras corridas. Para competir nas primeiras posições, o preço a ser pago não é barato nem é para qualquer um. É necessário querer, ter força de vontade, sujeitar-se a orientações de um técnico e de um preparador físico. Quem quer ser coroado precisa pagar um preço que para muitos tem o nome de sofrimento. Dar o ultima gota de suor com vistas um prêmio maior.

Nessa corrida, os vencedores tanto no masculino quanto no feminino foram brasileiros. Pessoas simples como nós mesmos, mas, que decidiram treinar e lutar por uma vaga no podium.

Paulo nos orienta a corrermos com perseverança a carreira que nos está proposta, deixando de lado todo o embaraço que nos assedia. E para aqueles que se esquecem das dificuldades anunciadas por Jesus, lembre-se daquele cântico que diz “Não basta só o meu cantar, Não basta só dizer, Não é suficiente o querer fazer, É necessário morrer. Não basta só o meu sonhar, Não basta só pedir, Não é suficiente o querer ter, É necessário morrer”.

3) O lavrador

“Trabalhe arduamente, como um lavrador que consegue boa paga se levanta uma grande colheita” (2 Tm 2:6).

O sucesso de um agricultor e diretamente proporcional ao trabalho por ele desenvolvido. Muito trabalho = fartura, pouco trabalho = fome. Vida na fazenda só é bonita para quem visita, e faz o trabalho como forma de lazer ou terapia. Para termos uma pequena noção do que é o trabalho rural, basta olharmos para o rosto queimado, as mãos calejadas e os traços fisionômicos bem caracterizados pela dureza do trabalho, no corpo de um agricultor.

O agricultor tem a recompensa de seu trabalho à época da colheita. E mesmo para colher, o trabalho também não é fácil. Preguiça não faz parte do vocabulário de um agricultor. Aliás, o preguiçoso jamais será um bom agricultor.

“Quem não prepara a terra para o plantio dizendo que está muito frio para se trabalhar também não terá comida quando vier a colheita” (Pv.20:4)

“Passei pelo sítio do homem preguiçoso e vi que tudo estava coberto de mato e espinheiros. Havia ervas daninhas por toda parte e as cercas estavam caídas.

Vi aquilo tudo, pensei um pouco e aprendi esta lição:

Para quem sempre dorme um pouco mais, para quem sempre quer tirar uma soneca, para quem só pensa em descansar e ficar à toa, a pobreza chegará de repente, como um ladrão, e a fome atacará de surpresa, como um bandido. ”(Pv.24:30-34).

Estamos sempre semeando e para o plantio da semente da palavra da salvação, deparamo-nos muitas vezes com solos férteis, prontinhos para plantar e aguardar a colheita. Neste caminho é só descida. Mas, quando aparecem os solos arenosos, secos, espinhosos, que vontade de desistir! É uma subida interminável! Nesta hora aparecem os verdadeiros agricultores. Preparando a terra, semeando, irrigando, aguardando Deus dar o crescimento, para uma futura colheita que talvez nem cheguem a provar!

A vida ministerial e cristã é assim. Porém…

Desanimo

Perda de forças – Quando começamos qualquer trabalho, no início estamos motivados temos muita força, mas, na metade do caminho para frente, as forças acabam. Geralmente é assim em qualquer empreitada.

Perda de visão (alvo) – quando lidamos com situações difíceis de lidar, ou talvez uma tarefa que pareça infindável, nós corremos o risco de perder totalmente o alvo. E procurar saídas, atalhos para uma fuga, ou maior facilidade. Lembrem-se a obra de Deus em nossas vidas apenas começou.

Perda da confiança – quando você perde as forças e a visão, conseqüentemente perde também a confiança. Quando você perde a confiança perde o coração, perde a motivação. Varias coisas podem levar a isso, e nelas há sempre um sentimento de vazio, um sentimento esmagador de desanimo que o leva a pensar que nunca vai acabar.

Perda da segurança – As pessoas também desanimam quando perdem a segurança. Há muitas áreas da vida às quais nos agarramos para obter segurança tangível. Uma delas é o nosso emprego. Se toda sua segurança está no emprego, tudo de que precisa então é perder esse emprego, e o desânimo o derrubará.

Outra segurança protetora conhecida são os amigos íntimos e as condições familiares. Quando sentimo-nos ameaçados com eles, toda segurança vai por água abaixo.

Soluções para o desânimo.

Lembre-se de sua metafixe sua mente no alvo – qual o propósito para qual Deus o chamou- qual o seu alvo como cristão e servo “Eu e minha casa serviremos…” – pare um pouco com tudo, e tire um tempo para refletir, quando estamos no meio de uma intensa batalha não temos tempo para refletir. “lembrai-vos do Senhor, grande e temível, e pelejai pelos vossos irmãos, vossos filhos, vossas filhas, vossa mulher e vossa cada…” Nm 4: 14

Volte sua atenção para o Senhor – Quando paramos para refletir, precisamos também trazer à memória aquilo que pode nos dar esperança.  Conversar com Deus faz parte disso. Quando estamos desanimados os problemas parecem ser tão grandes que ofuscam em nossa mente a grandiosidade de nosso Deus.  Vocês já perceberam que uma simples mão colocada diante de nossos pode fazer sumir o sol de nossas vistas.

Você pode lembrar-se do senhor, trazendo à mente quem ele é? Quando foi a última vez em que refletiu sobre a grandeza de Deus?

Conversar com Deus trará a memória seus grandes feitos. Isto nos dará esperança. Sem esperança morremos.

Mantenha o equilíbrio em seus pensamentos e atos – Uma coisa que muito me preocupa são os extremos, uns dizem ardentemente que não existe outra solução senão lutar, outros que não existe razão para lutar.  Para mim isto é a fé desequilibrada. Fique alerta para o ensino sutil  que indica Deus fazendo tudo e você recuando e não fazendo nada.  A bíblia nos exorta continuamente a ficar firmes, a lutar pela fé, a ser fortes na batalha e a ser bons soldados. Devemos equilibrar a fé com a ação.

Não deixe de congregar – Quando Neemias estava reconstruindo os muros, ele orientou ao povo. “No lugar em que ouvirdes o som da trombeta, para ali acorrei a ter conosco, o nosso Deus pelejará por nós”. 4:20

O principio embutido nesta orientação é: não tentem lutar sozinhos. Por isso congregamos. Proteção mutua. Não diga “não preciso de ninguém, vencerei isto sozinho. O risco é muito grande;

Trabalhe ajudando na vida de outros – Serviço é que não falta. Quando estamos trabalhando no reino, podemos sentir alegria, realização, renovação do ânimo para novos empreendimentos. Verificamos que milagres ocorrem, na vida de outros por nosso intermédio, o nosso também pode ocorrer.

Conclusão

As lutas fazem parte da vida de um soldado, as regras e disciplina fazem parte da vida atlética, o trabalhado árduo e a colheita fazem parte da vida do agricultor. Todas estas metáforas traduzem a vida cristã. Não há vitória sem luta, ninguém corre sem suar, e, muito menos há colheita sem trabalho.

Um dia teremos descanso, sim … um dia.

“Então vi uma nova terra (sem oceanos)! E um novo céu, porque a terra e o céu atuais haviam desaparecido.

E eu, João, vi a Cidade Santa, a nova Jerusalém, descendo de Deus e vindo do céu. Era uma vista gloriosa, linda como uma noiva no dia do casamento.

Eu ouvi um alto brado que vinha do trono, dizendo: “Atenção, a morada de Deus agora está entre os homens, e Ele morará com eles e eles serão o seu povo; sim, o próprio Deus estará entre eles.

Ele enxugará todas as lágrimas dos olhos deles, e não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor. Tudo isso passou para sempre “(Ap 4:1-4).

Prs Wilson & Maria do Carmo Sandoval 21/08/02

Reescrita em 10/05/2008

Publicado por Pr. Wilson

cumprindo a carreira que me foi proposta

Um comentário em “LUTAR O BOM COMBATE II

  1. É isso mesmo Pr. Wilson, precisamos sempre ser alertados que estamos em um batalha constante.

    Me fez lembrar a época em que servir o Exército (EB), quando estavamos em treinamento de instrução à noite, no escuro e no mato, com várias situações reais, os Oficiais sempre orientavam: “nunca solte sua arma, ou se quer afaste dela, não desista, não desanime, continue em frente, não importe qual seja a barreira ultrpasse-a”.
    E nós cristãos temos nossas armas que devemos usá-las constantemente.
    Um forte abraço

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