CAPÍTULO V – IDENTIDADE (parte 2)


5.1. RELACIONAMENTO VERTICAL

5.1.1. O NOVO ADÃO

“Desci à casa do oleiro, e eis que ele estava entregue à sua obra sobre as rodas. Como o vaso que o oleiro fazia de barro se lhe estragou na mão, tornou a fazer dele outro vaso, segundo bem lhe pareceu… eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel” (Jr 18:2-5).

Deus não faz remendos. Ele faz tudo novo.

O apóstolo João retrata nos primeiros versículos de seu evangelho (1:1-14) o plano de Deus sendo concretizado. “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós…”

O primeiro homem, Adão, desobedeceu e degenerou-se, transmitindo esta degeneração a toda sua descendência. Deus então se fez homem, habitou em nosso meio. No batismo nas águas, de Jesus, vemos claramente o seu plano em ação (Mt 3:16,17):

• Os céus se abriram para o homem (novo Adão). Recordem que na queda do homem, ele foi expulso do seu habitat e querubins armados ali foram colocados, para evitar seu retorno (Gn 3:23,24);

• O homem (Jesus) viu o Espírito de Deus descendo como pomba, vindo sobre ele. O homem recupera aqui a presença de Deus em sua vida;

• E por fim, a declaração universal de paternidade.

O homem ao pecar havia sido lançado fora da presença, neste momento de criatura de Deus, ele passa a ser filho de Deus. Ali no batismo de Jesus, estava Deus tomando posse novamente da sua criação.

Era um novo Adão, sujeito às mesmas necessidades e tentações humanas, não vacilou, não pecou, foi obediente até o fim. Satanás em desespero, usando sua arma mais poderosa, a morte, resolve acabar com esta criação. Supondo, talvez, que esta prisão “invulnerável” poria um fim no projeto de Deus.

O novo Adão foi cruelmente morto. Satanás venceu? Nunca! Enquanto Jesus estava sepultado, o plano continuava em ação. Naqueles três dias, a liberdade chegava aos que haviam partido antes da chegada da Nova Aliança, e, aproveitando o ensejo daquela estada ali nos domínios de Satanás, Jesus toma do inimigo as chaves da morte e do inferno:

“… estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e do inferno” (Ap 1:18).

Glórias a Deus, que nos permite cantar alegremente:

“Jesus a rocha eterna, a pedra angular que os poderes do inferno não puderam derrubar. Jesus a vida eterna deixou glória e poder. Em um sacrifício vivo por nós veio morrer, mas a morte e o inferno não puderam derrotar, pois havia um plano eterno que o fez ressuscitar”.

5.1.2. O Espírito Santo

O plano é um sucesso! Tudo conforme Deus havia planejado antes da fundação do mundo! Adão, o novo, cumpriu o seu papel, novamente o homem pertence a Deus. Mas, só um havia cumprido as exigências, e os outros?

Os homens nascendo na velha fôrma, ainda mantêm características e fraquezas inerentes à queda do primeiro Adão. E como fazer distinção entre os da velha e os da nova matriz? A primeira matriz continua a produzir sementes segundo a sua fôrma. Qual a solução? Nascer de novo! Precisaríamos morrer para a velha matriz e nascer na nova matriz.

“A todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem em seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (Jo 1:12, 13).

No novo nascimento recebemos o Espírito Santo de Deus! É a natureza do próprio Deus habitando novamente no homem. A promessa anunciada no livro de Jeremias sendo cumprida “… eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo” (31:31-34).

Quando o Apostolo Paulo ser refere ao Espírito Santo, ele conecta dois termos: Penhor e Selo.

“Mas aquele que nos confirma convosco em Cristo e nos ungiu é Deus, que também nos selou e nos deu o penhor do Espírito em nosso coração” (2 Co 1:21, 22).

“… em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados como o Santo Espírito da promessa; o qual é o penhor da nossa herança, até o resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória” (Ef 1:13, 14).

Para melhor compreensão, precisamos saber a origem destes dois termos que são usados em conexão com o Espírito Santo.

A palavra grega para Penhor é arrabõn. Naqueles tempos qualquer transação comercial que envolvesse venda e compra, ou em qualquer transação legal que implicasse em prestação de serviços por uma soma pré-determinada, era pago um arrabõn.

O arrabõn era o pagamento adiantado de uma parte do preço ou de uma parte dos emolumentos como garantia de que, no tempo devido, a dívida inteira seria liquidada. O dom do Espírito Santo é, portanto, um antegozo da vida do próprio Deus, e um penhor, uma garantia de que, um dia, Deus cumprirá a Sua promessa e capacitará o cristão a ingressar nessa vida. Aquele que está no Espírito tem a própria vida de Deus dentro de si.

A palavra grega para selar é sfragizein. No mundo comercial antigo, um selo era comumente usado de modo bem semelhante à marca registrada dos nossos dias. Era o sinal da propriedade, ou a prova de que um artigo era produto de determinado homem ou firma. Sendo assim, por exemplo, jarras de vinho eram seladas com o selo do dono da vinha de onde provinham.

A posse do Espírito Santo é a garantia de que determinado homem pertence a Deus. Quem tem o Espírito, a vida dele é o produto da obra de Deus.

5.1.3. O Mediador

Sabemos que Jesus veio para estabelecer um conserto relacional entre os homens e Deus, e também entre os próprios homens. Ele é o nosso mediador. O conserto da raça humana com Deus foi iniciado ali na cruz do calvário, por intermédio de um novo Adão (Jesus Cristo) e o nosso com Ele é mediante nossa confissão e batismo.

“Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado” (Mc 16:16).

Ao recebermos Jesus em nossos corações, inicia-se a caminhada na vida cristã. Embora, a confissão e o batismo sejam o ponto principal de nosso encontro com Jesus, não é o ponto final da vida cristã. Estes momentos (confissão, batismo) são o marco de uma nova vida, que precisa ser aprendida a viver. Desenvolvida através do conhecimento, da luz que se achega para dissipar as nossas trevas.

Nossa nova vida aliançada com Deus é facilitada pela ação do Espírito Santo que agora habita em nós, como garantia e reconhecimento dessa nova paternidade. Mesmo que a fragilidade de nossa constituição, nos leve a falhar no cumprimento de nossa parte, o Seu Espírito nos ajuda, nos consola, nos conforta.

Deus providenciou tudo para a manutenção e certificação dessa aliança, é o seu Espírito habitando em nós que nos capacita a cumprir nossa parte desse conserto. O que poderia explicar tamanho zelo da parte de Deus?

“Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor” (1 Jo 4:8).

Deus é amor, e, só poderemos conhecer verdadeiramente a Deus, conhecendo o que é amor. A bíblia diz que tudo acaba, todos os dons acabarão, menos o amor.

O amor não é apenas um sentimento. Os sentimentos são passageiros. O amor não consiste apenas em sentir. O amor, além do sentimento, envolve também uma atitude em relação ao amado.

Amor é mais que sentimento é a atitude firme de dar-se ao ente, ou objeto amado, e, de possuí-lo em íntima comunhão. É o amor um atributo no qual se combinam dois impulsos: o de dar e o de possuir.

Em todo amor humano ou divino, entram sempre estes dois elementos: o impulso de dar e o desejo de possuir. Estes dois elementos característicos do amor combinam-se em várias proporções. Quando o desejo de possuir excede o de dar, o amor torna-se interesseiro e imperfeito.

O amor humano é sempre imperfeito, porque sempre estes elementos aparecem nele mal equilibrados. O amor em Deus é ele dando-se a si mesmo, e dando tudo quanto é bom às suas criaturas, com o fim de possuí-las na mais íntima comunhão consigo mesmo. Em Deus o impulso de dar é igual ao de possuir.

O amor de Deus é perfeito, porque está ligado a uma bondade perfeita. Devido a esta bondade perfeita, o amor divino vale mais do que o amor de qualquer criatura humana, porque quando ele se dá aos homens, oferece-lhes, ao mesmo tempo a bondade perfeita.

O principio operativo do amor baseia-se numa avaliação do objeto amado. Isto é, o amor opera ou funciona pela avaliação. Amamos aquilo a que damos valor. Sem avaliar, o amor não entra em ação. Não se pode jamais amar um objeto sem principalmente lhe dar certo valor.

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3:16).

Ao conhecermos o amor de Deus tornou-se fácil para nós, amá-Lo. Se falharmos com Deus (com nossos pecados), Ele não falhará conosco. Temos tranqüilidade e segurança no amor de Deus, mesmo se formos infiéis na aliança com Ele, Ele diz que jamais nos abandonará. Simplesmente nos chama de filhos amados, e nos estende o seu perdão.

“O seu amor é maior que meus erros, o seu amor é maior que meus medos”, já dizia um poeta.

Sim, o perfeito amor lança fora todo o medo. Neste amor de Deus, nos sentimos valorizados, enriquecidos. Somos alguém. Somos filhos de Deus! Que facilidade para nos relacionarmos com Ele, Ele faz tudo para manter este relacionamento.

“Preciso de Ti. Preciso do Teu perdão. Preciso de Ti, quebranta meu coração. Como a corça anseia por águas, assim tenho sede, como terra seca, assim é minha alma. Preciso de Ti. Distante de Ti Senhor não posso viver, não vale a pena existir. Escuta o meu clamor, mais que o ar que eu respiro, preciso de Ti” (Diante do trono).

A Sua fidelidade, a Sua bondade, o Seu amor, revela o seu nome Jeová Hessed. Tornando-nos Sua habitação é o que nos capacita nesse relacionamento. Nós somos ou seríamos a pedra de tropeço neste relacionamento, mas Deus não nos trata como pedras e sim como filhos.

“E é por intermédio de Cristo que temos tal confiança em Deus; não que, por nós mesmos, sejamos capazes de pensar alguma cousa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa suficiência vem de Deus, o qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica” (2 Co 3:4-6).

Publicado por Pr. Wilson

cumprindo a carreira que me foi proposta

2 comentários em “CAPÍTULO V – IDENTIDADE (parte 2)

  1. Valeu Pr. Wilson. Muito agradavel esse material, seria bom que todos nós do Grão fizessemos assim, estariamos abençoando uns aos outros pelo Brasil a fora.

    Feliz e produtivo 2010 para nós MGM com toda igreja de Jesus no Brasil.

    Prs. Braga, Janete e filhos.

  2. Love you thank you for taking the time to write this now have Bruce/Niedi Translate this to English and I will be set. Yes all of them

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