Para a luz -20/06/02


Para a luz

(Jó 24-13-17)

Ainda pequeno uma das coisas que mais trazem temor ao homem é a escuridão, a falta de luminosidade. O escuro traz medo, e o medo gera necessidade de proteção.

Crianças notoriamente, e, alguns adultos normalmente, não gostam de escuro. O medo de ambientes escuros reflete a insegurança com o que não se pode ver: o temor do desconhecido.

Desde os tempos remotos, o homem procura se proteger da escuridão. Era sabido por todos, que os salteadores e as feras mais selvagens somente saiam à caça no período noturno, o temor, aliado a falta de visão, iludia as vitimas tornando-as indefesas contra seus ataques.

Saídas noturnas, somente eram aconselháveis desde que fossem acompanhados por forte esquema de segurança e mesmo assim o perigo era inevitável.

Também nas guerrilhas, as trevas até hoje são aproveitadas para fazerem armadilhas, tocaias, e caçar os incautos.

À batalha noturna, tornou-se necessário criar mecanismos de defesa ou de ataque, hoje, em dia existem excelentes iluminadores que clareiam grandes áreas, binóculos com lentes infravermelho que permitem visão noturna, tochas químicas que iluminam até dentro d’água.

Apesar de tantas criações, nada substitui com perfeição a luz do dia. E convém sabermos que todo esse aparato descrito pode ser utilizado em ambos os lados da luta.

O fato é: As trevas escondem perigos conhecidos e desconhecidos; Nas trevas não detemos o conhecimento, aliás, trevas podem significar caminho do desconhecimento, da ignorância, da mentira, da maldição.

Luz significa caminho do conhecimento, da verdade, da benção.

Estamos em guerra

“Por último, quero recordar-lhes que a força de vocês deve vir do imenso poder do Senhor dentro de vocês. Vistam-se de toda a armadura de Deus, a fim de que possam permanecer a salvo das táticas e das artimanhas de Satanás. Porque nós não estamos lutando contra gente feita de carne e sangue, mas contra pessoas sem corpo – os reis malignos do mundo invisível, esses poderosos seres satânicos e grandes príncipes malignos das trevas que governam este mundo; e contra um número tremendo de maus espíritos no mundo espiritual” ( Ef. 6:10-12)

Saber que existe uma luta espiritual, não é algo novo, ou um privilégio dos cristãos. Existe uma luta na qual não podemos vencer carnalmente, e isto é do conhecimento de todos.

O homem em busca de proteção quanto aos poderes das trevas, enveredou-se por um caminho mais escuro ainda.

A busca por acesso a ajuda de seres do outro lado, do lado obscuro, torna-se interessante ao homem, pois em seu pensamento, a busca desse poder pode torná-lo temido por outros, e imune às ações do maligno.

O apóstolo Paulo em sua lista de obras da carne, da o nome a esse poder de feitiçaria, bruxaria.

A feitiçaria, bruxaria, não é algo novo.

A palavra de Deus relata os feitos dos feiticeiros e mágicos egípcios que competiam com Moisés quando Faraó não queria deixar Israel partir.

A magia, a bruxaria e a feitiçaria são os pecados, por causa dos quais o profeta Isaías prediz a destruição da Babilônia pela ira de Deus. (Is 47:9-12)

O cristianismo desenvolveu-se numa era em que o uso da feitiçaria e das artes mágicas era generalizado, e freqüentemente com intenções criminosas.

Mas, foi no período final do império que a magia se generalizou em Roma.

Com o intuito de lesar inimigos e obter vantagens particulares por meios sobrenaturais, o povo se aperfeiçoou nas artes mágicas.

Podemos dar uma rápida olhada em algumas destas práticas mágicas que decerto constavam entre aquelas que Paulo proibia:

O nome da pessoa a ser lesada era escrito numa tábua, com sinais e palavras sinistras.

Uma imagem de cera da pessoa era feita e depois derretida lentamente, ou destruída de outra maneira.

Eram feitos tiras de chumbo com o nome da pessoa atacada inscrita nelas, e com uma oração de maldição dedicada aos espíritos do mundo do além. A tira de chumbo passava, então, a ser introduzida num túmulo de modo que os espíritos do mundo do além a vissem e agissem à altura da maldição ali escrita.

Ossos eram enterrados debaixo da casa de algum homem para planejar a sua morte.

Poções de amor eram comuns;

A astrologia grassava numa tentativa de se ver o futuro;

Havia eternas receitas mágicas para fabricar ouro a partir de metais menos valiosos.

O mau olhado era universalmente temido. Ele era especialmente fatal para as crianças.

O homem então passa a buscar defesa no mesmo local da fabricação das armas que são utilizadas contra ele.

As mandingas, os talismãs, tornaram-se prática comum de defesa e contra-ataque.

Contra o mau olhado podia-se cuspir nas dobras do casaco que a proteção era certa.

Era possível guardarem-se também contra ele por meio de talismãs, que eram pequenos modelos de ferramentas, utensílios e principalmente de um determinado órgão humano, que podiam ser vistos dependurados nos pescoços, aparecendo também nos jardins e lareiras das casas.

O mundo antigo estava repleto de práticas mágicas. Em Atos 19:19 lemos a respeito dos peritos nas ciências mágicas em Éfeso que queimaram os seus livros quando foram convertidos pelas demonstrações que Paulo fez do poder do nome de Jesus.

Neste período de trevas, por decreto imperial a religião cristã passa a ser lei.

Antes o crescimento cristão estava fora de controle, agora passa a ser controlado pelo poder romano, que nomeia o cristianismo como religião oficial do império.

Todos, os que estão debaixo da autoridade de Roma, agora são automaticamente cristãos por decreto.

Deve ter sido extraordinariamente difícil desarraigar de um mundo supersticioso as práticas que se tinham tornado parte integrante da vida cotidiana.

Com a obrigatoriedade da religião cristã, diversos templos, outrora consagrados a outros deuses, passam a serem dedicados ao cristianismo. Imagens de deuses têm seus nomes e formatos alterados para se compatibilizarem com a nova lei.

Com nomes diferenciados alguns costumes e superstições também foram cristianizados, e com a passagem dos séculos outras coisas foram se apegando: crucifixos, sal grosso, fitinhas, figas, plantas, ferraduras, vassoura atrás da porta, ícones de animais ou pessoas, etc.

Tantas inovações trouxeram um “novo caminho” para o evangelho, que fugindo da simplicidade, busca alternativas mais complexas para além da salvação da alma, obter a felicidade e a fuga dos perigos terrenos e espirituais.

O evangelho da graça perde o significado lentamente, parece ser difícil a compreensão de que como algo tão precioso possa ser de graça!

As obras passam a ser caminho paralelo para salvação, o que deveria ser um estilo de vida por conseqüência de novo nascimento, passa a ser uma obrigação para assegurar vaga no paraíso. É mais fácil comprar, pagar um preço, que mudar de vida.

O evangelho da prosperidade alcança um povo que confia em vida abundante baseado nas riquezas materiais. Bens, e sucesso profissional são categorizados como sinal evidente de benção sobre determinada vida. Quem não se enquadra está sob maldição.

Dízimos, ofertas, jejuns, campanhas, passam a ser moedas correntes na troca por bênçãos celestiais, para reivindicar direitos adquiridos, pelo esforço desprendido. O sincretismo religioso atrai multidões.

O apóstolo Paulo em situação semelhante apela à sensatez o povo da Galácia perguntando:

“Gálatas insensatos! Quem foi o feiticeiro que os sugestionou e pôs em vocês esse encantamento ruinoso? Porque vocês costumavam ver o significado da morte de Jesus Cristo tão claramente como se eu tivesse exibido diante de vocês um quadro com o retrato de Cristo morrendo na cruz.

Só quero fazer-lhes uma pergunta: Vocês receberam o Espírito Santo pela tentativa de guardar as leis judaicas? Claro que não, pois o Espírito Santo só veio sobre vocês depois que vocês ouviram acerca de Cristo e confiaram nEle para ser salvos.

Então, será que vocês ficaram loucos? Pois se a tentativa de obedecer às leis judaicas nunca lhes deu vida espiritual no principio, porque vocês pensam que a tentativa de obedecer agora os fará cristãos mais fortes?

Vocês sofreram tanto pelo evangelho. E agora vão simplesmente jogar tudo pela janela? Mal posso acreditar nisso!

Eu lhes pergunto de novo: Deus lhes dá o poder do Espírito Santo e opera milagres no meio de vocês como resultado das suas tentativas de obediência às leis judaicas? Não naturalmente que não. É quando vocês crêem em Cristo e confiam inteiramente nEle.” (Gl 3:1-5)

O misticismo está sendo tão fortemente entranhado à cultura evangélica, que não é difícil verificarmos diversas situações, em que o espiritismo, a feitiçaria, a idolatria estão sendo um caminho, de trevas, paralelo para a vida cristã.

Nomes, rituais, vestimentas, costumes, estão escandalosamente sendo incutidos na vida dos cristãos, como se fizesse parte do cristianismo.

O apóstolo Paulo em sua segunda carta ao povo de Corinto demonstra igual preocupação com os mesmos sofismas que atacavam o rebanho cristão à época.

“Espero que vocês sejam pacientes comigo, enquanto continuo falando como um tolo. Tolerem-me e deixem-me dizer o que vai em meu coração.

Tenho uma profunda preocupação por vocês, igual àquela que o próprio Deus tem – preocupação de que o amor de vocês seja somente por Cristo, tal como uma moça pura reserva o seu amor para um homem apenas, aquele que será seu marido.

Mas estou amedrontado, temendo que de alguma forma vocês sejam desviados da sua devoção simples e pura ao nosso Senhor, tal como Eva foi enganada por Satanás no Jardim do Éden.

Vocês parecem tão ingênuos: crêem em qualquer coisa que alguém lhes diz, mesmo que esteja pregando sobre outro Jesus, diferente daquele que nós pregamos, ou um espírito diferente do Espírito Santo que vocês receberam, ou mostrando outro caminho para a salvação. Vocês acreditam piamente em tudo. (2 Co 11:1-4)

Jesus é a luz do mundo

O temor que a simplicidade não trás segurança, é um dos motivos que levam as pessoas a se precaverem, a se desviarem da pureza do evangelho da graça.  A palavra é clara: Ela nos assegura que somos filhos da luz; Que as trevas não prevalecem contra a luz; Que nós não andaríamos em escuridão.

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

Ele estava no princípio com Deus.

Todas as cousas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez.

A vida estava nele e a vida era a luz dos homens.

A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela”. (Jo 1:1-5)

“Eu sou a Luz do mundo. Portanto, se vocês Me seguirem, não vão tropeçar na escuridão, porque sobre o caminho de vocês se derramará a luz viva” (Jo 8:12)

“Todos vós sois filhos da luz, e filhos do dia. Nós não somos da noite, nem das trevas.” (I Ts 5:5)

1º Pedro 2:9-10

Somos uma geração eleita, sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, convocados para anunciar as grandezas de Deus, que nos chamou das trevas para sua maravilhosa luz. Antes não éramos nada hoje somos filhos de Deus!

Não precisamos de misticismos, de amuletos, de ídolos, para abrir nossos caminhos.

Jesus já abriu um novo e vivo caminho, para que andássemos Nele.

Não serão anéis, sais grossos, correntes e mais correntes de oração e jejum, dízimos e ofertas involuntárias e o gnosticismo, que nos livrarão das artimanhas, das ciladas de Satanás.

Descansem no Senhor! Ele é a nossa Rocha, a nossa Fortaleza, o nosso Refúgio. Socorro bem presente nas tribulações. Mil caem a sua esquerda, dez mil morrem a sua direita, porém você não será atingido.

Sejamos inocentes no que é mal e excelentes no que é bom, e o Deus da paz, em breve, esmagará a Satanás, debaixo de nossos pés.

Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam. Se o Senhor não guardar a cidade em vão vigia a sentinela, aos seus Ele dá enquanto dormem.

Minha segurança está em seus braços, oh Senhor!

“Pobres dos que correm ao Egito, pedindo socorro! Pobre de quem confia no grande número de carros de guerra e nos fortes cavaleiros egípcios, em vez de olhar cheio de confiança para o Santo de Israel e pedir ao Senhor a sua ajuda” (Is 31:1)

Correr para o Egito nesta passagem significa: voltar ao tempo que éramos escravos, que vivíamos em escuridão.

Significa desprezar a libertação concedida através de Cristo Jesus.

Os carros e cavaleiros significam os recursos humanos que aparentemente trazem segurança, e força.

Nossas armas não são carnais, são espirituais, poderosas em Cristo para anular sofismas, e restabelecer em nossas vidas a confiança que estando na luz, às trevas nada podem fazer, a não ser bater em retirada diante de nossa chegada.

Onde colocarmos nossos pés; É terra Santa.

“Portanto, usem cada peça da armadura de Deus para resistir ao inimigo sempre que ele atacar e, quando tudo estiver acabado, vocês ainda estejam de pé.

Mas para fazer isso vocês necessitam do cinturão forte da verdade e da couraça da aprovação de Deus.

Calcem sapatos que possam fazê-los andar depressa ao pregarem a Boa Nova da paz com Deus.

Em cada batalha vocês precisarão da fé como escudo para deter as flechas ardentes disparadas por Satanás contra vocês, e precisarão do capacete da salvação e da espada do Espírito – que é a Palavra de Deus.

Orem o tempo todo. Peçam a Deus qualquer coisa que esteja de acordo com os desejos do Espírito Santo. Argumentem com Ele, fazendo-o lembrar-se das necessidades de vocês, e continuem orando fervorosamente por todos, os cristãos em toda parte” (Ef. 6:13-18)

Prs. Wilson & Mª do Carmo Sandoval

20/06/02

Apendice

O gnosticismo [1] (do grego Γνωστικισμóς (gnostikismós); de Γνωσις (gnosis): ‘conhecimento’) é um conjunto de correntes filosófico-religiosas sincréticas que chegaram a mimetizar-se com o cristianismo nos primeiros séculos de nossa era, vindo a ser declarado como um pensamento herético após uma etapa em que conheceu prestígio entre os intelectuais cristãos. De fato, pode falar-se em um gnosticismo pagão e em um gnosticismo cristão, ainda que o pensamento gnóstico mais significativo tenha sido alcançado como uma vertente heterodoxa do cristianismo primitivo.

Alguns autores fazem uma distinção entre “Gnosis” e “gnosticismo”. A gnose é, sem dúvida, uma experiência baseada não em conceitos e preceitos, mas na sensibilidade do coração. Gnosticismo, por outro lado, é a visão de mundo baseada na experiência de Gnose, que tem por origem etimológica o termo grego gnosis, que significa “conhecimento”. Mas não um conhecimento racional, científico, filosófico, teórico e empírico (a “episteme” dos gregos), mas de caráter intuitivo e transcendental; Sabedoria. É usada para designar um conhecimento profundo e superior do mundo e do homem, que dá sentido à vida humana, que a torna plena de significado porque permite o encontro do homem com sua essência eterna, centelha divina, maravilhosa e crística, pela via do coração. É uma realidade vivente sempre ativa, que apenas é compreendida quando experimentada e vivenciada. Assim sendo jamais pode ser assimilada de forma abstrata, intelectual e discursiva.

O movimento originou-se provavelmente na Ásia Menor, difundindo-se da região do Irã à Gália, exercendo a sua maior influência sobre o cristianismo entre os anos de 135200. Tem como base elementos das filosofias pagãs que floresciam na BabilôniaAntigo EgitoSíriaGrécia Antiga, combinando elementos da Astrologia e mistérios das religiões gregas como os do Elêusis, do Hermetismo, do Sufismo, do Judaísmo e do Cristianismo.

Num texto hermético lê-se que a gnosis da Mente é a “visão das coisas divinas”. G.R.S.Mead acrescenta que “Gnosis não é conhecimento sobre alguma coisa, mas comunhão, co­nhecimento de Deus”. Este é o grande objetivo, conhecer “Deus”, a Reali dade em nós. Não é a crença, a fé ou o simples conhecimento o que importa. O fundamental é a comunhão interior, o religar da Mente individual com a Mente universal, a capacidade do homem “transcender os limites da dualidade que faz dele homem e tornar-se uma consciência divina”.

A posse da Gnosis significa a habilidade para receber e compreender a revelação. O verdadeiro Gnóstico é aquele que conhece a revelação interior ou oculta desvelada e que também compreende a revelação exterior ou pública velada. Ele não é alguém que descobriu a verdade a seu respeito por meio de sua própria desamparada reflexão, mas alguém para quem as manifestações do mundo interior são mostradas e tornaram-se inteligíveis. O início da Perfeição é a Gnosis do Homem, porém a Gnosis de Deus é a Perfeição aperfeiçoada. “Aperfeiçoamento” é um termo técnico para o desenvolvimento na Gnosis, sendo o Gnóstico realizado conhecido como o “perfeito”, “parfait”.

A entrada na senda da Gnosis é chamada ‘voltar para casa’. Como vimos, é um retorno, um virar as costas ao mundo, um arrependimento de toda natureza: “Devemos nos voltar para o velho, velho caminho”.

“Somente o batismo não liberta mas sim, a gnosis, o conhecimento interior de quem somos, o que nos tornamos, onde estamos, para onde vamos. O que é nascimento, o que é renascimento”. “Gnosis sobre quem éramos e no que nos tornamos; onde estávamos e onde viemos parar; para onde nos dirigimos e onde somos redimidos; o que é a geração, e o que é a regeneração”. (Extratos de Theodotus)

Ingressar na Gnosis é um despertar do sono e da ignorância de Deus, da embriaguez do mundo para a temperança virtuosa. “Pois o mal [ilusão] do não conhecimento está inundando toda a terra e trazendo total ruína à alma aprisionada dentro do corpo, impedindo-a de navegar para os portos da salvação.”  WIKIPÉDIA

Publicado por Pr. Wilson

cumprindo a carreira que me foi proposta

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