NEGAR-SE A SI MESMO


NEGAR-SE A SI MESMO

 

Daniel Rincon

 

Desde os dias de João Batista até agora, o reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele.” (Mateus 11:12)

 

Certa vez, encontrei um jovem que andava se afastando do convívio cristão, faltando a inúmeras reuniões de células. Perguntei o motivo de ele estar faltando tantas reuniões. Ele me deu um motivo vergonhoso.

Fiquei pensando o quanto, muitas vezes, trocamos os eventos pertinentes a Deus por coisas tão pequenas. Acredito que todos aqui já fizeram isso algum dia. Ouvimos falar, por várias ocasiões, que o Reino de Deus é conquistado pela força. Tudo o que espiritualmente conquistamos até aqui foi através de alguns sacrifícios. Continuamos, dia após dia, a sacrificar muitas situações e desejos em prol do Reino de Deus. Sacrificamos em nosso próprio benefício e de outros.

“E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo.” (Lucas 14:27)

Já ouvimos palavras com essa direção várias vezes, e talvez cansados de ouvir falar a respeito de algo tão óbvio como isso. Tantas músicas foram feitas citando esse “Negar a si mesmo” ou “Tomar a sua cruz”. Entretanto, acredito que muitos de nós ainda não entenderam ao fundo o que seja isso.

Se você quer seguir a Jesus, você deve:

  1. Negar a si mesmo;
  2. Tomar a sua cruz diariamente;
  3. Segui-lo.

Eric Fellman, um famoso escritor evangélico americano, numa viagem à China, estava muito temeroso sobre carregar a Bíblia naquele país, já que se tratava de um livro proibido. Ele mal conseguia dormir, pensando naquilo, dias antes da viagem. Não sabia se escondia a Bíblia na mala. Também não sabia como escondê-la. Aquilo atormentava-o muito.

Já em Hong Kong, se encontrou com um amigo que morava na cidade, também evangélico, que fez questão de levar Eric para conhecer um casal chinês que morava num pequeno flat, localizado num beco da cidade. O homem havia saído da prisão chinesa há poucos dias.

Chegando ao flat, um homem, de mais ou menos 60 anos de idade, de saúde debilitada, abriu a porta. Ele mantinha um sorriso radiante no rosto. Ele pediu para que os dois visitantes entrassem e os levou a um cômodo bastante baixo e muito úmido. Era como uma sala da casa. Uma mulher, também chinesa, mais ou menos com a mesma idade, serviu chá aos visitantes.

Neste momento, o escritor notou o quanto eles olhavam amorosamente um ao outro. O homem a ajudou carinhosa e cuidadosamente enquanto ela servia chá a todos. Os olhares e a forma como eles se tocavam chamou muito a atenção de Eric.

A admiração não passou despercebida. Eles notaram o quanto Eric havia ficado espantado com o carinho do velho casal. Eles viram e riram, ambos, da admiração dele.

Ele perguntou ao amigo: “O que foi? ” O amigo, também achando engraçado, respondeu: “Oh! Nada! Eles só queriam que você soubesse que são recém-casados! ” Estavam carinhosos assim por terem se casado recentemente. Ainda curtiam a lua-de-mel.

A partir daí, começaram a contar sua história. Eles se conheceram e se tornaram noivos em 1949 (estavam em 1983 ou 84), quando ele ainda era um seminarista num seminário em Nanquim.

Certo dia, quando ensaiavam para o seu casamento, que estava bem próximo, os comunistas chineses invadiram e levaram todos os seminaristas presos. Eles levaram todos para uma prisão trabalhista linha-dura.

Muitos daqueles seminaristas ficariam presos ali pelos próximos trinta anos. Aquele homem era um deles. Durante todo esse período, ele poderia receber apenas uma visita por ano. Nesse caso, foram 30 visitas da “quase esposa”. Em cada visita, ela podia ficar alguns poucos minutos, sob forte vigilância dos soldados.

Quando a noiva ia embora, o homem se sentia o pior homem na terra. Se sentia sozinho. Sabia que demoraria mais 1 ano para revê-la. E, quando a visse, seria por poucos minutos. Aquele dia era o mais esperado. Entretanto, era também o mais triste, quando ele a via saindo pelos portões da prisão. Passava-se muitas coisas pela cabeça dele. O quanto ele seria feliz com ela! O quanto ela era bonita! Será que ela voltaria no próximo ano? Será que ela não encontraria outra pessoa para se apaixonar, já que eles ainda não eram casados?

O pior não era isso. Poucos instantes depois da visita, todos os anos, ele era chamado para uma espécie de audiência com os generais da prisão. Ela era assistida por alguns guardas. Isso sempre acontecia instantes depois das visitas. Acontecia no momento mais frágil deles. Quando eles mais sentiam vontade de estarem fora dali.

Naquele momento, era feita uma proposta covarde aos seminaristas: “Você quer ir embora com sua noiva? Se você quiser, basta somente renunciar ao Cristianismo. Você só precisa dizer que não acredita mais nessas coisas e que não participará mais dessa religião. ”

Imagine o coração daquele homem naquele momento. Muitos não suportaram e aceitaram a proposta. Ano após ano, com uma imensa dor no coração, ele tinha sempre a mesma resposta: “Não! ” Ele não tinha uma pena determinada. Ele não sabia quanto tempo ficaria ali. Poderia durar a vida inteira. Talvez jamais fosse solto.

Eric ficou espantado naquele momento. Como ele conseguiu resistir por tanto tempo. Sua saúde debilitada mostrava que ele era intensamente maltratado naquele lugar. Como ele havia conseguido suportar o desejo de ter uma família, de se casar, de ter a sua casa? Ele devia ficar pensando naquela resposta o ano inteiro.

Eric não suportou e fez essa pergunta ao homem. Ele com um sorriso orgulhoso no rosto, disse: “Com tudo o que Jesus tem para mim, como poderia traí-lo? ”

Depois daquilo, Eric nunca mais teve medo de ir a lugar algum da China, carregando a sua Bíblia no casaco. Ele sabia que seria preso, caso fosse revistado. Mas esconder a Bíblia parecia o mesmo de negar a Jesus. Isso ele não poderia mais fazer. Ele preferiu negar a si mesmo. “”Não tem nenhum problema ser preso por Jesus! ”

Ele fez várias viagens à China. Estranhamente, seu casaco jamais foi revistado.

 

A ESCOLHA

“Dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me.” (Lucas 9:23)

Temos, primeiramente, o desejo de seguir a Jesus. Precisa haver no seu coração a vontade de segui-Lo. Normalmente isso acontece devido a uma insatisfação com sua vida atual. Desejo de que algo mude. Começa, nesse instante, algo que depende de você: sua escolha. Vejam que Jesus usa a condição “se”. Depende de uma escolha sua. “Eu escolho seguir a Jesus”.

O Senhor dá oportunidades em diferentes momentos de nossa vida para segui-Lo. Deuteronômio 30:19 expressa essa condição.

A escolha faz parte do início de nossa vida espiritual. Todos que seguem a Jesus passam por ela. Se você ainda não chegou nesse momento, Deus está te dando essa oportunidade, hoje, de fazer essa escolha.

“diz “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que O amam”.  (1 Coríntios 10:9)

 

NEGAÇÃO DE SI MESMO

Com esse desejo manifesto, surgem as três diretivas para que você possa segui-lo. A primeira delas diz respeito à “negação de você mesmo”.

Significa dizer “não” a si próprio. Quer dizer que vou andar como um louco? Tudo o que eu quiser, passo a dizer não? Notem que essa condição é imposta após a escolha. Quer dizer que você deve dizer não a todas as coisas que você praticava antes de escolher seguir a Jesus. Não ao seu antigo estilo de vida.

Ultimamente, temos insistido em falar, sobre o sacrificar coisas para Cristo. Não existe uma gota de suor de sacrifício da sua parte que não seja inteiramente recompensada por Deus. Quando você faz um sacrifício em prol do Reino de Deus, Ele te recompensa de maneira inimaginável.

“e a ti, Senhor, pertence a graça, pois a cada um retribuis segundo as suas obras.” (Salmos 62:12)

Todo sacrifício que se fizer, em obediência a Cristo, será recompensado, neste mundo e na eternidade. Deixar de mentir, “engolir” seu ego, mudar padrões profanos de vida, etc, são passíveis de serem recompensados pelo Senhor.

 

TOMAR A SUA CRUZ

A segunda diretiva fala do tomar a sua cruz todos os dias. Naquela época, tomavam a cruz aqueles que estavam direcionados à morte.

Imagine-se no corredor da morte num país onde existe essa pena. O que passa pela sua cabeça enquanto você está se dirigindo à morte. No corredor da morte não existem condições de você voltar ao que era antes. Você já está condenado à morte. Você só tem um caminho estreito e difícil para caminhar.

Ninguém, no corredor da morte, passa em casa para dar um beijo na sua família ou para comer sua comida predileta. Você é desprendido de todas as coisas desse mundo, mesmo que seja coercitivamente. Jesus, enquanto carregando a cruz, foi desprendido de todas as coisas desse mundo, não coercitivamente, porque ELE assim o quis, para cumprir seu ministério. Paulo diz:

“Esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. ” (Filipenses 3:13)

 

SEGUIR A JESUS

A terceira diretiva fala de segui-Lo. É o estágio final do processo de serviço ao Senhor. Fazer os mesmos passos que Jesus fez. Neste estágio, você já foi santificado e é digno de ser chamado discípulo do Senhor.

“E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.

Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos.

Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum.

Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade.

Diariamente perseveravam unânimes no templo partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração,

Louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos.” (Atos 2:42-47)

Quando se fala em Pentecostes, todos se lembram da descida do Espírito Santo sobre a igreja e os dons que foram derramados. Lembram-se, também, dos 3 mil batizados. Entretanto, se esquecem do que aconteceu depois do dia de Pentecostes. Temos uma total imitação dos passos de Jesus: “Partir do pão e nas orações”; “prodígios e sinais eram feitos”; “vendiam suas propriedades e bens”; “distribuindo o produto entre todos”; “de casa em casa”; “acrescentava-lhes o Senhor”.

Seguir a Jesus significa fazer os passos de Jesus. Fazer aquilo que Ele fazia. Isso aconteceu à Igreja antiga. Desprenderam-se do que mais gostavam e fizeram os passos de Jesus.

 

Ora, é para esse fim que labutamos e nos esforçamos sobremodo, porquanto temos posto a nossa esperança no Deus vivo Salvador de todos os homens, especialmente dos fiéis.” (1 Timóteo 4:10)

Publicado por Pr. Wilson

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