CAPÍTULO III LONGANIMIDADE


Caminhada...3. A PRESSA

A pressa é inimiga da perfeição. Embora este dito seja muito popular, viver sem pressa é quase utopia no mundo em que vivemos. Foi-se o tempo em que podíamos parar para admirar o por do sol, marcar horários para conversarmos com alguém sobre assuntos corriqueiros, descansar à sombra de uma árvore no meio de uma viagem.
O progresso tem muitas vantagens, porém, é inegável que a tranqüilidade que nos trazia momentos de reflexão, nos tempos idos, hoje é praticamente impossível.
Equipamentos eletrônicos a cada dia são inventados e aperfeiçoados visando dar mais agilidade nas consultas, nos encaminhamentos, nas decisões. Com essas inovações, somos contagiados pela necessidade, pela urgência sempre premente de decisões rápidas, respostas rápidas, para tudo e todos.
Talvez alguns pensem que isso é pura nostalgia, saudades de um passado distante.
Seria isso mesmo? Há 20 anos o sonho de consumo de quem redigia, era possuir uma máquina de escrever “IBM de esfera”.
Que dizer então de nossos PC’s? Parece que foi há muito tempo que foi lançado o Pentium 100, mas não foi há tanto tempo assim.
O aparelho celular aqui no Brasil, não tem mais que dezoito anos e não mais que a metade disso de popularidade.
Atendimentos bancários nos terminais eletrônicos foram fortemente implantados há não mais que 15 anos; a Internet rápida 3G, agora que está sendo amplamente disponibilizada, isso nas grandes cidades, e já se fala na 4G a ser lançada em 2010.
Para os mais velhos, o acumulo de conhecimento não é totalmente assimilado, o nosso “processador” não consegue acionar tudo que está armazenado em nosso “HD”, boa parte do saber é absorvido pela metade, quando isso.
Existem muitas pessoas que nem sabem manusear todos os recursos disponíveis, por exemplo, em seu aparelho de som, e têm que se preocupar com tecnologias cada vez mais avançadas, nomes esquisitos, DVD-R/RW, MP3,4,5,6,7, GSM, 3G, HD MAX, Core 2 duo, Blu Ray etc. Quantos sabem usar todos os recursos de seu celular?
Os jovens em contrapartida facilmente aprendem o novo, com a mesma rapidez que se esquecem das coisas antigas.
Tudo bem, ninguém quer voltar ao tempo das radiolas (rádio e vitrola). Tudo o que tem sido inventado ou aperfeiçoado é visando nosso conforto, mas, há conseqüências.
Algumas conseqüências desse dinamismo hoje são muito estudadas, dentre as quais podemos citar um termo muito conhecido por todos: o estresse. Palavra que se tornou popular a partir da década de 80.
Doenças psicossomáticas surgem de todos os lados, como resultado do estresse. Ficar estressado tornou-se tão comum, como os resfriados. Servindo muitas vezes como desculpas, para falta de educação, atitudes covardes, e até crimes.
Outro aspecto a ser observado, são as implicações ocasionadas por decisões apressadas. Inúmeros problemas pelos quais passamos, não são nada mais que colheitas da falta de paciência em momentos passados.
A vida cristã também tem sido afetada, estamos tão acostumados à pressa, a urgência, que sem perceber, vivemos como cristãos estressados. A falta de paciência na vida secular refletida na vida cristã.
Nosso “relógio de controle de urgências” determina a nossa atenção, a nossa determinação, nas atividades e decisões a serem efetuadas.
Qualquer evento que passe do horário determinado por esse relógio, trás um enorme desconforto mesmo sabendo que não teremos nada de mais importante para fazer naquele horário, é simplesmente uma pressa inexplicável.
Ao orarmos temos pressa em dizer tudo de uma vez, ao invés de saborearmos a presença do Senhor.
Aguardar a resposta de nossas orações então é um martírio. É difícil esperar, quando estamos encharcados de um evangelho “fast food” (pagar e pegar – tudo rápido e descartável). Por isso, sempre estamos impacientes com tudo e com todos.
A impaciência trás desânimo, abatimento, e o pior: nós desistimos de aguardar, então, “apontando” para uma direção, resolutos tomamos nossas próprias decisões.
Podemos decidir que rumo tomar, isto está no “nosso controle”, porém, os resultados de nossas decisões, fogem totalmente do nosso pretenso poder. Conseqüências serão inevitáveis.
Precisamos de paciência, de ânimo longo, de um longo ânimo

3.1. LONGANIMIDADE

“Senhor nos dê paciência… Agora!”.
O que é paciência? Paciência é a qualidade da pessoa paciente; é a resignação; a conformidade em suportar os males ou os incômodos sem se queixar; é a perseverança tranqüila; a calma na continuação de qualquer tarefa ainda que esta seja difícil ou muito demorada; é a tranqüilidade com que se espera aquilo que tarda.Traduzindo para nossa linguagem cristã é a longanimidade.
Longanimidade no grego são duas palavras: Makro e Thumos (grande ou longo – ânimo ou disposição). A junção das duas palavras expressa um tipo de atitude para com as pessoas e situações é a Makrothumia.
O longo ânimo para com as pessoas é a atitude de nunca perder a paciência, por pouco razoáveis que elas sejam, e de nunca perder a esperança com relação a elas, por menos agradável e dócil que sejam. Ter visão de fé, a visão de Deus sobre àquela pessoa.
O longo ânimo para com as situações é a atitude de nunca ser derrotado pela falta de esperança e de fé, por mais obscura que a situação seja, por mais incompreensíveis que os eventos se mostrem, ou por mais severa que seja a correção divina.
Longanimidade pode ser resumida ou traduzida como o poder de levar as coisas até o fim.
No Novo Testamento a palavra longanimidade aparece em três situações, e todas estas três situações são de relacionamentos.

3.1.1. Longanimidade – Paciência de Deus. (Deus para com os homens)

“E tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor” (2 Pe 3:15).

O momento no qual o Apostolo Pedro escreve sua 2ª carta é de decepção e desilusão, por causa da demora da Segunda Vinda de Jesus Cristo. E o argumento de Pedro é que esta demora não é insensibilidade; é paciência.
É a oportunidade para os homens se arrependerem e crerem no evangelho, para transformarem sua natureza pecaminosa em santidade, e tornarem sua imprudência em preparação.
A paciência de Deus aguarda, ao passo que, se o poder estivesse na mão do homem a sua impaciência já há muito tempo teria agido em ira destrutiva.
A paciência de Deus é mais do que o simples aguardar; ela esta chamando os homens a se arrependerem. Deus é longânime, não querendo que ninguém pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento.

“Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânime para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento” (2 Pe 3:9).

Todavia, a paciência de Deus pode ser usada pelos homens para a sua própria destruição. A longanimidade de Deus com Israel pode ser entendida à luz da decisão de deixar a nação obstinada seguir seu próprio caminho até que forçosamente acontecesse a sua rejeição final.

“Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para perdição” (Rm 9:22).

Constantemente ao pregarmos as Boas Novas, ouvimos: Deixe para depois! Amanhã! Mais tarde! Sou muito novo ainda!
Deus espera com paciência. Deus busca com paciência, e esta espera e busca, pretendem contribuir para a salvação do homem, mas o homem na sua teimosia pode transformá-la em condenação.

3.1.2. Longanimidade – Com o próximo (homens para com homens)

Paulo nos orienta em sua carta aos Efésios 4:2, que o cristão deve andar com toda humildade e mansidão e longanimidade, suportando ao seu próximo em amor.
Em Colossenses 3:12 diz que o Cristão deve revestir-se como uma roupa, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade, e deve suportar com amor o seu próximo.
Em 1 Coríntios 13:4 que o amor cristão deve ser longânime, paciente e benigno.
Longanimidade é um pré-requisito para aqueles que querem trabalhar no reino de Deus. Ensinar o caminho do Senhor exige paciência, nunca perder a esperança do fruto, da semente que está sendo plantada. Algum dia ela germinará.
É a longanimidade ou paciência que suporta feridas e mal feitos sem ser provocado à zanga ou vingança. É uma estabilidade de alma que sob a provocação do direito de “acertar as contas” ou mesmo “confrontar o erro” com alguém, decide não fazê-lo.
A impaciência não solidifica relacionamentos, pelo contrário deixa-os superficiais. Para firmamos um relacionamento duradouro com uma pessoa, teremos que estar preparados para as adversidades, os atritos que a proximidade trará. Somente com olhos de fé e longo animo, seremos fortalecidos nestes momentos.

3.1.3. Longanimidade – Resposta cristã às circunstâncias e aos eventos. (homens para com soberania de Deus)

“Sabemos que todas as cousas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8:28).

Talvez a lição mais difícil de ser aprendida seja a de esperar. Mas como esperar quando parece que nada esta acontecendo, e quando todas as circunstâncias mostram motivos para o desânimo?
Precisamos lembrar-nos da soberania de Deus, de sua aliança conosco, e dos seus propósitos maiores.

“Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor, porque, assim como os céus são mais altos do que a terra,assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos” (Is 55:8,9).

“Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais. (Jr 29:11).

José teve um sonho proveniente de Deus. Por causa desse sonho, seus irmãos o venderam como escravo. Serviu como escravo administrando com sabedoria os bens do seu senhor, na casa a patroa adúltera o calunia, sendo lançado à prisão. Nesta prisão administrava a escassez na ração diária dos detentos, ali abençoou um dos serviçais do rei, que ali estava preso.
Tempo depois foi elevado a uma alta posição por Deus, para um propósito definido. José poderia ter se antecipado e com “justa” revolta tomar decisões para sua vida, pois as circunstâncias eram terríveis, parecia que Deus o havia abandonado. Ele aguardou, e teve o propósito de Deus cumprido em sua vida e através de sua vida.
Muitas vezes as circunstâncias são adversas, e olhando para os montes vem a tradicional pergunta: de onde me virá o socorro? (Sl 121:2). O nosso socorro vem do Senhor! Aquele que se estriba em sua própria sabedoria, acaba caindo em desgraça.
Tiago nos dá uma excelente orientação numa época em que a velocidade e a rapidez de respostas se tornaram um “deus”.

“Sede, pois, irmãos, pacientes, até a vinda do Senhor. Eis que o lavrador aguarda com paciência o precioso fruto da terra, até receber as primeiras e as últimas chuvas. Sede vós também pacientes e fortalecei o vosso coração, pois a vinda do Senhor está próxima. Irmãos, não vos queixeis uns dos outros, para não serdes julgados. Eis que o juiz está às portas. Irmãos, tomai por modelo no sofrimento e na paciência os profetas, os quais falaram em nome do Senhor. Eis que temos por felizes os que perseveraram firmes. Tendes ouvido da paciência de Jó e vistes que fim o Senhor lhe deu; porque o Senhor é cheio de terna misericórdia e compassivo” (Tg 5:7-11).

3.2. PERSEVERANÇA

Na epístola aos Hebreus há uma orientação de corrermos com perseverança a carreira especial que Deus pôs diante de nós (Hb 12:1-3).
Em Coríntios, Paulo nos lembra de nossa eleição, exortando e encorajando a persistência (2 Co 4:1).

“Por isso, não desanimamos; pelo contrário, mesmo que o nosso homem exterior se corrompa, contudo, o nosso homem interior se renova de dia em dia” (2 Co 4:16).

Lembrando ainda o fato passado de que Esaú, cansado, prostrado por uma situação momentânea, não teve paciência para aguardar, negligenciou a sua primogenitura trocando-a, por uma simples refeição. E mais tarde, quando novamente ele quis aqueles direitos de volta, era tarde demais, embora tivesse chorado lágrimas amargas de arrependimento (Hb 12:16,17).
E o exemplo de Abraão e Sara? De posse de uma promessa, não tiveram paciência, e se anteciparam ao tempo de Deus, gerando uma conseqüência que afeta o mundo inteiro até os dias de hoje.
Ainda resta nosso próprio exemplo, que outrora andávamos deslumbrados pelo brilho do mundo, quantos não choraram por nós, assim como hoje choramos por outros! Até que um dia houve luz em nossas vidas e aqui estamos! Foi a paciência de Deus que nos deu tempo para o arrependimento.
A paciência, que faz parte do fruto do Espírito, é para ser usada nas nossas relações temporais, isto é, tudo o que for passageiro em nossas vidas. Sabendo que estamos temporariamente neste mundo, de passagem para uma vida eterna, onde iremos precisar da paciência? Na eternidade?
Na eternidade, o caráter divino já será inteiramente realidade em nossa vida. É aqui que iremos exercitar essa qualidade divina!
É necessário que reflitamos, sem pressa, aproveitando cada momento, cada oportunidade que nos é dada, para que consideremos nossos pensamentos, nossas atitudes, com relação a Deus, ao próximo, e às circunstâncias.
Há muitas coisas que precisam ser revistas em nossas vidas, à luz do conhecimento da Palavra de Deus torna-se necessário um novo viver, o arrependimento seguido do perdão são atitudes essenciais neste momento. Oremos.

Publicado por Pr. Wilson

cumprindo a carreira que me foi proposta

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