CHEGAI-VOS A DEUS – PARTE 2


CHEGAI-VOS A DEUS

PARTE 2

 

“Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós outros. Purificai as mãos, pecadores; e vós que sois de animo dobre, limpai o coração. Afligi-vos, lamentai e chorai. Converta-se o vosso riso em pranto, e a vossa alegria, em tristeza. Humilhai-vos na presença do Senhor, e ele vos exaltará”.

(Tg 4:8-10)

Nosso Deus fala

O apóstolo Paulo diz que outrora quando éramos gentios andávamos para lá e para cá, de um ídolo a outro, e nenhum dos quais podia falar uma única palavra. Por esta exortação de Paulo fica claro uma das primeiras características que diferenciam Deus, nosso Pai, de todos esses falsos deuses e ídolos – Nós servimos ao Deus vivo, e Ele fala!

Em Êxodo (3) há o relato de como Moisés foi chamado por Deus para uma conversa.

Moisés como pastor de ovelhas naquele momento estava envolvido em seus afazeres.

O pensamento natural que nos ocorre, seria ele, naquele instante, ser preocupar com uma possível debandada do rebanho e talvez horas ou dias a fio de trabalho para reagrupá-los. Era mais plausível deixar para mais tarde uma resposta ao Senhor quando tudo estivesse mais calmo e sob controle. Não é sempre assim que pensamos?

Será que se ele fizesse isso o resultado seria o mesmo? Ao ouvir o chamado de Deus, Moisés deliberadamente saiu de seus afazeres para responder a este chamado, ele disse consigo mesmo “irei para lá e verei” e Deus então o chamou pelo nome “Moisés! Moisés!”.

O que percebemos nesta passagem é um desejo e a uma prontidão em buscar a presença de Deus.

Em outro relato bíblico, Samuel ao ouvir o chamado do Senhor “Samuel! Samuel!”, corre para Eli e se apresenta (I Sm 3).

“Porém, Samuel ainda não conhecia o Senhor, e ainda não lhe tinha sido manifestada a palavra do Senhor” (7).

Três vezes ocorre o fato, até Eli perceber que Deus era quem chamava Samuel, então na quarta tentativa houve o estabelecimento da comunicação. “Fala, pois o teu servo ouve” (10).

Não seria mais fácil Deus a partir da segunda chamada se apresentar para Samuel, dizendo “não temas Samuel sou eu o Senhor seu Deus!”. Pode ser mais lógico, quando não conhecemos a pessoa que nos chama, mas, imagine um pai chamando um filho, e este filho não reconhecer a voz de seu pai!

Deus deseja que nós o conheçamos e o reconheçamos prontamente, Ele procura aqueles que são diligentes de espírito, que irão procurá-lo com dedicação, com afinco. Treinando os ouvidos e o coração para ouvir sua voz no primeiro chamado, respondendo: Eis me aqui Senhor, o teu servo ouve!

Isso é necessário para chegarmos a uma intimidade entre nós e Ele. “Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós outros”.

Comunicação

No livro de Marco 6:45 vemos que após Jesus realizar a primeira multiplicação de pães e peixes, manda seus discípulos embarcar e passar para o outro lado  do mar, enquanto Ele despedia as multidões.

Após isso, subiu ao monte para orar, e, do monte ao ver os discípulos em dificuldades, foi ter com eles andando por sobre o mar.

Percebam a riqueza de informações neste texto. Mesmo concentrado em sua oração, Ele do alto do monte vendo a necessidade dos discípulos, sai ao seu encontro, porém, há um detalhe especial, o texto diz que Jesus tinha a intenção de tomar-lhes a dianteira (48), isto é; passar adiante deles. Como seria isso possível?

Ele estava ali para socorrer, mas se os discípulos não o tivesse constrangido ele passaria direto. É isto que o texto quer dizer.

Em momentos de aperto, de extrema dificuldade, a primeira palavra que nos sai aos lábios é um clamor pelo nome de Jesus. O desespero e medo não nos impedem de clamar em alto e bom som pelo nome que é sobre tudo e sobre todos; o nome de Jesus!

Creio que foi isto o que ocorreu com os discípulos. Lutando para sobrepujar a dificuldade, aparece um vulto que eles pensaram ser um fantasma. E eles aterrorizados gritaram. Gritaram o que? O que você gritaria? O nome de Jesus!

“Eles, porém, vendo-o andar sobre o mar, pensaram tratar-se de um fantasma e gritaram. Pois todos ficaram aterrados à vista dele. Mas logo lhes falou e disse? Tende bom ânimo! Sou eu. Não temais! E subiu para o barco para estar com eles, e o vento cessou” (49-51). Na presença de Deus os problemas deixam de existir!

Em Lucas 24:28 vimos situação semelhante: Dois discípulos iam no caminho de Emaús, conversando e discutindo sobre os últimos acontecimentos, eles estavam tristes e decepcionados, provavelmente desesperançados, quando Jesus se aproximou deles e passou a acompanhá-los e lhes perguntou o motivo da tristeza “Ele lhes perguntou; Quais? E explicaram; O que aconteceu a Jesus, o Nazareno, que era varão profeta, poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo, e como os principais sacerdotes e as nossas autoridades o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. Ora, nós esperávamos que fosse ele quem havia de redimir a Israel; mas, depois de tudo isso,é já este o terceiro dia desde que tais coisas se sucederam” (19-21).

Jesus então os confronta (25) lembrando-lhes das escrituras sagradas, mas nem assim os seus olhos se abriram para reconhecê-lo. Quando perceberam que Jesus fez menção de passar adiante, eles o constrangeram dizendo: “fica conosco!” E ele entrou para ficar com eles. E no partir do pão, na ceia os seus olhos se abriram e eles o reconheceram. Mais tarde se lembravam daqueles momentos preciosos em que não aproveitaram a companhia do mestre e disseram um ao outro “ Porventura, não nos ardia o coração, quando ele, pelo caminho, nos falava, quando nos expunha as escrituras ?”

Se os discípulos no barco não tivessem gritado, se os dois de Emaús não o tivessem constrangido a ficar, possivelmente Jesus teria passado adiante.

Deus sempre está um passo a frente em direção a nós, e, se nós damos uma resposta a este passo, ela dá outro passo e se aproxima.

Todavia senão respondemos a este ato de aproximação, não clamamos, não o constrangemos, Ele não interrompe a nossa caminhada, nem nos empurra à Sua vontade.

Caso Moisés não tivesse voltado para ver o que era aquela sarça ardente, quem sabe se Deus iria somente esperar como o fez no caso de Samuel? Seria como Jesus fez aos seus discípulos?

Ele frequentemente espera até quando nós estivermos famintos o suficiente para responder ao seu chamado. Precisamos estar atentos e ligados em nossa comunicação com Ele.

Deus deseja que nós o conheçamos e para isso precisamos nos comunicar com Ele.

O apóstolo Paulo em um único versículo com apenas 3 palavrinhas nos dá uma orientação clara e objetiva, para estabelecermos esta comunicação e obtermos a sua intimidade –“Orai sem cessar” (1Ts 5:17).

Deus deseja se comunicar conosco, a oração é a chave. A oração não é um monologo, tem de ser um diálogo, uma conversa em dois sentidos.

Por isso, orai sem cessar significa que não só nós ansiamos conversar com Deus, mas, Ele também deseja se comunicar conosco dando um novo direcionamento a nossa vida.

“Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração. Serei achado de vós, diz o Senhor, e farei mudar a vossa sorte! (Jr 29:13,14).

Afligi-vos, lamentai e chorai.

“Afligi-vos, lamentai e chorai. Converta-se o vosso riso em pranto, e a vossa alegria, em tristeza. Humilhai-vos na presença do Senhor, e ele vos exaltará”.

A essência desse versículo está no reconhecer do posicionamento de nosso coração. Não podemos confundir com masoquismo cristão.

Vejamos: Um termo muito usado para os cristãos recém convertidos é o “primeiro amor”. Um período especial na vida do cristão, em que Jesus se torna o foco de seu viver.

Para eles a disposição é total, na busca até desesperada de uma aproximação com o Senhor das bênçãos, é uma fase em que eles estão quentes, ardentes.

O livro de Apocalipse (Ap 3:14), fala de uma igreja morna, acomodada. A temperatura morna é a leitura intermediária de duas situações: Algo que começou a ser aquecido, e pode estar em progressão para estar quente, ou então algo que já esquentou e está em franca desaceleração rumo ao resfriamento.

Creio que esta carta foi escrita como um desesperado aviso para aqueles que já foram quentes e estão caminhando para uma frieza total.

A igreja de Laodicéia, julgava-se rica, abastada, alegre e que não precisava de mais nada. O seu problema em questão não era a posse das coisas materiais, e sim que eles deixavam que estas coisas materiais satisfizessem as suas almas. Isso atrapalhava a paixão dentro deles pela presença e amizade de Deus. Eles passaram valorizar mais as bênçãos, que o Senhor das bênçãos.

Onde deveriam estar focado os seus corações? Nas bênçãos de Deus, ou no Deus das bênçãos?

Vejamos um posicionamento que se contrapõe a este no livro de Salmos 86, Davi diz “Inclina, Senhor, os ouvidos e responde-me, pois estou (sou) aflito (pobre) e necessitado (1)… Alegra a alma do teu servo, porque a ti, Senhor, elevo a minha alma… (4).

Que aflição e necessidade seria esta? Como um homem que juntou uma verdadeira fortuna para passar para o filho e este construir um templo    (1 Cr. 22.14), poderia necessitar de algo?

Ele se declarou aflito e necessitado, e no verso 4 ele pede que o Senhor alegre sua alma, porque para Deus era onde ele elevava sua alma, onde ele submetia seus desejos e emoções.

Davi nunca deixou que suas grandes riquezas saciassem o apetite de sua alma. Ele estava desesperado, faminto, sedento por intimidade com Deus!

O apetite pela palavra, pela presença de Deus é um sinal de saúde espiritual, a falta de apetite  pelas coisas de Deus é um alerta de enfermidade espiritual.

Qual é um dos primeiros sintomas de uma pessoa enferma? Não é a perda do apetite? O enfermo tem pouco ou quase nenhum desejo de comer. A fome é o elemento principal pelo qual nós iremos ou não buscar intimidade com Deus, a fome pela presença de Deus é nosso termômetro espiritual.

Quando nosso estomago está cheio, saciado após um grande banquete onde aproveitamos de tudo um pouco, e nos é oferecido um banquete ainda melhor, com as mais finas iguarias, teríamos apetite para comer novamente? Com certeza nos iremos desprezar este último convite.

Pense que quando a nossa alma está farta de cuidados, prazeres, riquezas, ou dos desejos deste mundo, nós iremos desprezar o doce favo da amizade de Deus.

Em Provérbios, está escrito que a alma farta pisa o favo de mel, mas à alma faminta todo amargo é doce.

 “Pois dizes: estou rico e abastado e não preciso de coisas alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu” (Ap 3,17), estas palavras denunciam a falta de paixão da igreja de Laodicéia, porque a alma deles estava satisfeita, infelizmente não dEle, mas sim das coisas materiais.

Empanturraram sua alma de todas as novidades terrenas, numa dieta arrasadora, alimentando a carne e matando de fome o Espírito.

Não é assim que ocorre? Se tivermos uma dieta regular de esportes, nós vamos ansiar pela ESPN. Se a dieta regular for de novelas, filmes, fofocas de artistas com certeza estaremos nos deliciando sempre com filmes, revistas e conversas sobre o assunto.

Se nossa satisfação está em nossas casas, roupas, viagens, dinheiro, com certeza iremos acender nossa paixão por estas coisas quando o assunto vier à baila.

E tantas outras situações mais que se encaixariam como exemplos neste estudo.

Poderíamos comparar tudo isso, à camada de gelo que impede os esquimós de se achegarem à água, onde há vida, essencial para sua sobrevivência.

Nossa dieta tem que ser direcionada, intencional. A proposta para cada um de nós, é tirar o foco destas barreiras que impedem a plenitude do acesso pleno às águas da vida;  é nos alimentarmos numa dieta regular da Palavra de Deus.

Então será fácil separar um tempo para oração, e as conversas a respeito das coisas espirituais irão fluir naturalmente. Assim nós fortaleceremos o Espírito Santo em nossas vidas e estaremos ansiando pela presença de Deus e desejando ter intimidade profunda com ele.

Estaremos achegando-nos a Ele, e a resposta a esta ação virá sem demora.

 “Ó Deus, tu és o meu Deus forte; eu te busco ansiosamente; a minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, como terra árida, exausta, sem água” (63:1)

Alguns podem pensar “como viver assim? Estamos cercados de malignidade, estamos vivendo  no mundo real e não em um mundo utópico!”.

Quando procuramos conhecer o motivo pelo qual Davi era considerado um homem segundo o coração de Deus, verificamos que em seus piores momentos de angústia, quando estava sendo caçado pelo rei, “ajuntaram-se a ele todos os homens que se achavam em aperto, e todo homem endividado, e todos os amargurados de espírito, e ele se fez chefe deles; e eram com ele uns quatrocentos homens”.

Dez anos ele andou com estes homens, porém ele não se contaminou pelo meio, aqueles homens não moldaram sua personalidade, pelo contrário, ele era quem influenciava, quem salgava, creio que a resposta por que isso não ocorreu está expresso nessas suas palavras “Ao meu coração me ocorre: Buscai a minha presença; buscarei, pois, Senhor, a tua presença”.(Sl 127:8)

Conclusão Final

“Afligi-vos, lamentai e chorai. Converta-se o vosso riso em pranto, e a vossa alegria, em tristeza”. Não é masoquismo, é um ato de reconhecimento após reflexão e arrependimento. Porque onde temos tirado riso e alegria, deveria ser motivo de pranto e tristeza, pois quase sempre isso tem nos afastado da intimidade, da presença manifesta de Deus.

“Humilhai-vos na presença do Senhor, e ele vos exaltará”. É o conforto, a convicção de sua misericórdia e de seu amor. É a  certeza que temos, garantida em sua Palavra, que ao nos ajoelharmos rendidos e clamando por sua misericórdia, o Pai já está inclinado para nos abraçar e nos colocar seguros em seu colo.

 

“Eis que estou a porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, ele comigo”. Está passagem usada comumente para evangelismo, é um convite explicito para aqueles que já O conhecem.

É um convite para sermos íntimos de Jesus, um momento de grande privilégio, onde nós iremos cear com Ele, e Ele, um participante ativo nesta ceia, irá manifestar sua presença em nossas vidas.

“Os seus olhos, porém, estavam como que impedidos de O reconhecer (16)… E aconteceu que, quando estavam à mesa, tomando ele o pão, abençoou-o e, tendo-o partido, lhes deu; então, se lhes abriram os olhos, e o reconheceram…(30,31).(Lc 24).

É querer buscar a presença manifesta de Deus, onde não só nosso espírito, mas, a nossa mente e sentidos percebem sua proximidade. O salmista se refere a isto declarando: “Bem aventurado o povo que conhece os vivas de júbilo, que anda, ó Senhor, na luz da tua presença”. (Sl 89:15).

E para aqueles que buscarem a intimidade do Senhor há ainda uma promessa especial: “Invoca-me e te responderei; anunciar-te-ei cousas grandes e ocultas que não sabes” (Jr 33:3).

Eis me aqui Senhor, dá-me ouvido atento, coração maleável, fala que teu servo ouve. Amém!

Wilson & Maria do Carmo Sandoval

10/07/2005

Publicado por Pr. Wilson

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